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https://bijutsutecho.com/magazine/news/report/15767

「南」のアートはどうあるべきか? ブラジルで国際会議
「南大西洋の共鳴」が開催

今年4月、ブラジル北東部の古都サルバドールでゲーテ・インスティトュート主催の国際会議「南大西洋の共鳴」が行われた。その様子をカンファレンスに出展者として参加したブラジル在住の写真家・仁尾帯刀がレポートする。

 

 

 
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Exhibition
Echos of the South Atlantic

The collective exhibition, part of the program of the homonymous conference organized by the Goethe Institute in Salvador, Bahia, brings together videos, photographs, objects, silkscreens, sound sculptures, posters and performances by an international group of 15 artists who, through their works, comment on the complex relations between the countries that make up the South Atlantic.

In the performance “Tupi-Valongo/Cemitério dos Pretos Novos e Velhos Índios” ("Tupi-Valongo/Cemetery of the New Blacks and Old Indians”), Anita Ekman revives the technology of ceramic stamps, developed by the Sambaquieiro, stamping actor Hugo Germano’s skin through the overlaying of projected images of the Pretos Novos Cemetery in Rio de Janeiro. The scene combines diverse elements to inquire about Afro-indigenous Brazilian identity.

https://www.goethe.de/ins/br/en/kul/sup/echoes/exp.html

 

 

 

 

 

 
 Performance de Anita Ekman - Tupi Valongo - Cemitério dos Pretos Novos e Velhos Índios

Performance de Anita Ekman - Tupi Valongo - Cemitério dos Pretos Novos e Velhos Índios

https://www.goethe.de/ins/br/pt/kul/sup/echoes/eds/21265766.html

Derramam o sangue do nosso povo 

“Quando andamos na terra, estamos pisando no corpo de uma mulher”. A frase da indígena Guarani Sandra Benites, presente no vídeo que inicia a performance “Tupi-Valongo– Cemitério dos Pretos Novos e Velhos Índios”, de Anita Ekman, oferece pistas da abordagem artístico-cultural da paulista. Ao sair de um grande cesto de palha Guarani, Ekman passeia com um rolo-carimbo pelo próprio rosto, seios, pernas, braços.

Símbolos e desenhos da artista são revelados num corpo agora coberto de sentidos. “Os europeus disseram que estávamos nuas, mas nossos corpos estavam vestidos de pinturas”, declara uma voz feminina em off. As imagens do Parque Nacional Serra da Capivara (Piauí), projetadas ao fundo, são ritmadas por um canto da etnia Pankararu cantado por Lidia Pankararu e criam um ambiente de imersão na plateia. Essa mesma voz questiona, a partir de fatos históricos, o lugar da mulher indígena na história e nos violentos processos de colonização que marcaram a América Latina e, nesse caso específico, o Brasil.

“Setenta por cento da população trazida nos tumbeiros eram homens. Fomos nós, as mulheres, que escondemos eles nas nossas matas quando precisaram de abrigo”, continua a voz em off. Com a participação do ator Hugo Germano, novas inquietações são evidenciadas. Numa dinâmica teatral, o público é informado que 30 mil jovens negros e pobres foram assassinados por ano nos últimos dois anos no território brasileiro. Está posto, então, o paralelo com o Cais do Valongo, porto do Rio de Janeiro onde desembarcaram dois milhões de africanos, violentamente escravizados. O lugar, maior porta de entrada de seres humanos em situação de escravidão no País, tornou-se símbolo da violência contra a humanidade.

Nesse contexto, a memória da vereadora Marielle Franco é acionada. Brutalmente assassinada na capital carioca, o crime contra Marielle permanece sem solução. Ao exibir o último depoimento dela na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, quando ressalta seu lugar como mulher eleita na política brasileira, a potência da performance expande limites do aqui-agora, dialogando com o passado e colocando as interrogações da vereadora no futuro: “Nós, mulheres, somos violadas e violentadas há muito tempo, em muitos momentos”.

por Luis Fernando Lisboa